Mudanças climáticas, questões ambientais e avanços tecnológicos a uma velocidade cada vez maior estão impulsionando o crescimento de recursos energéticos não convencionais (solar e eólica) na matriz energética em países no mundo inteiro. A utilização destes recursos trazem inúmeros desafios. Adicionalmente, impulsionado por avanços tecnológicos, o sistema elétrico está passando por uma revolução digital, com potencial disruptivo, onde o grid precisa acomodar um fluxo de energia bidirecional em toda a sua cadeia. 

Neste cenário, temos um aumento no uso de recursos distribuídos – geração distribuída, gerenciamento da demanda, veículos elétricos, baterias - em todo mundo. Estes, por sua vez, viabilizam maior flexibilidade operativa, podem reduzir o estresse do sistema, tem potencial para reduzir o custo de operação e aumentar a confiabilidade do suprimento de forma ambientalmente responsável. A implementação destes pilares de uma nova política energética requer um entendimento profundo de como a tensão entre eficiência econômica e recuperação do custo das utilities será abordada por todos os stakeholders, de modo que surjam novos modelos de negócio e a tão temida death spiral não se realize. Assim, policy makers e reguladores precisam se preparar para essa incrível revolução em curso, a despeito da ainda pequena expansão dos recursos distribuídos no sistema elétrico brasileiro. A resposta da demanda é muito discutida na academia e entre os agentes do setor; os esforços, no entanto, são pontuais e ainda insuficientes. A geração solar vem sendo mais incentivada a partir de medida provisória estabelecendo o net metering, apesar do debate existente na Europa, EUA e, até mesmo, no Brasil acerca de um adequado sistema de incentivos. A mobilidade urbana, com o objetivo de adequação a protocolos ambientais, também é cada vez mais “elétrica e inteligente”.